Entidades ligadas à preservação e valorização das religiões de matriz africana (Liga das Instituições Religiosas Afro-Brasileiras e Ameríndias – LIRA, Associação Beneficente Ylê d’Oxum Apará – ABYOA e Federação de Cultos Afro-Religiosos de Umbanda e Mina Nagô – FECARUMINA) reúniram-se nesta sexta-feira (21), na sede da LIRA (Av: Padre Ângelo Biraghi – 8ª Avenida do bairro dos Congós), para realizar o Seminário “Desconstrução do Imaginário Negativo a respeito das Religiões de Matriz Africana”.
Participaram do evento, além de adeptos das religiões, autoridades da área de Direitos Humanos, gestores da área da educação, ativistas sociais, entre outros. Segundo o Presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB, Washington Picanço, afirmou que os casos de intolerância religiosa precisam ser acompanhados pela Ordem e por outras entidades como Ministério Público. A Coordenadora Municipal de Igualdade Racial, Cirlene Maciel, em seu pronunciamento, ratificou o compromisso da COMIR com as religiões de matriz africana em se tratando de políticas afirmativas para o setor.
O evento tem como propósito dar visibilidade à data em que é celebrado o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa e, ao mesmo tempo, capacitar politicamente os adeptos e praticantes das religiões de matriz africana a respeito das políticas públicas voltadas para o segmento.
De acordo com Pai Alexandre, o evento foi muito importante no sentido de definir uma nova etapa que é de aprofundar o diálogo e construir mecanismos dentro do governo e espaços em que as religiões todas possam ter acesso.
No final do evento foram dados alguns encaminhamentos que deverão nortear algumas ações durante o ano das organizações ligadas às religiões.
A data foi oficializada pela Lei nº 11.635, de 27 de dezembro de 2007, sancionada pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O projeto de lei para a criação do Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa foi de autoria do deputado Daniel de Almeida (PCdoB-BA). O Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa foi instituído para lembrar a data de morte da iyalorixá (sacerdotisa do candomblé) Gilda do Ogun, em 2000. Mãe Gilda foi acometida por um infarto fulminante ao ver sua foto estampada na capa da Folha Universal com o título de “Macumbeiros charlatões enganam fiéis”. A IURD foi condenada em última instância a indenizar os herdeiros da sacerdotisa.
É importante ressaltar a ausência dos veículos de comunicação na cobertura do evento, embora tendo sido repassado release do Seminário à imprensa, os meios de comunicação não deram importância ao evento.